Rozymario Bittencourt
Jornalista e analista de dados especializado em tecnologias do agronegócio, com foco em agricultura de precisão, sensoriamento remoto e ciência de dados aplicada à cafeicultura. É criador de Safra do Café.

O NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) é um importante índice para o monitoramento da cafeicultura por meio do sensoriamento remoto com o uso de imagens de satélite.
Pesquisas mostram sua utilidade para avaliar a saúde, o vigor e o desenvolvimento das plantas, permitindo intervenções mais assertivas.
Apontam ainda que o NDVI pode ser usado para monitorar o estado nutricional, identificar estresses hídricos, detectar infestações por pragas ou doenças, além de auxiliar na
estimativa de produtividade.
Mas, para a sua eficácia, é necessário saber acompanhar as
fases fenológicas do cafeeiro arábica por meio do NDVI, o que possibilita maior ganho de produtividade e sustentabilidade da lavoura. Saiba mais neste artigo!
O
NDVI (Índice de Vegetação da Diferença Normalizada) é um índice de vegetação criado para acompanhar a saúde das plantas por meio da sua atividade fotossintética.
Desenvolvido em 1973 por quatro cientistas da Texas A&M University (Rouse Jr, Haas, Schell e Deering), o índice normaliza a diferença entre a reflexão da luz no infravermelho próximo (NIR) e no vermelho (Red), resultando em valores que variam de -1 a 1.
O cálculo é simples:
NDVI = (NIR – Red) / (NIR + Red).
Valores altos (próximos de 1) indicam vegetação densa e saudável; valores próximos de zero ou negativos apontam para solo exposto, água ou vegetação estressada.
A saúde da planta é inferida porque a clorofila, pigmento essencial para a fotossíntese, absorve fortemente a luz vermelha e reflete a luz infravermelha.
Assim, uma planta com atividade fotossintética vigorosa apresentará um NDVI mais elevado.
NDVI na cafeicultura: por que usar e benefícios
Na cafeicultura, o NDVI é utilizado como ferramenta de
Agricultura de Precisão que permite:
Os benefícios são redução de custos com aplicações uniformes, aumento da eficiência no uso de recursos (água e fertilizantes), antecipação de problemas e suporte à tomada de decisão com base em dados objetivos.
O cafeeiro arábica possui um ciclo fenológico bienal complexo, dividido em seis fases principais, desde a formação de gemas até a colheita e repouso (senescência).
Este ciclo é sensível a fatores climáticos como fotoperíodo e disponibilidade hídrica. Monitorar essas fases com o NDVI permite ao produtor:
Acompanhar essas fases garante que as práticas de manejo (adubação, irrigação, pulverização) sejam aplicadas no momento fisiológico mais adequado para a planta.
A ciência tem evoluído para superar as limitações do NDVI em culturas perenes como o café, onde a densidade da copa pode causar saturação do índice (valores param de aumentar mesmo com crescimento da biomassa).
Uma
pesquisa em Minas Gerais concluiu que a utilização de imagens Sentinel-2 para obtenção do NDVI demonstrou ser uma forte ferramenta para mapear o
potencial de produtividade do cafeeiro.
Pesquisas integraram o NDVI em modelos que utilizam também
dados meteorológicos e de solo para estimar a produtividade do café com alta precisão em escala regional e microrregional.
O
uso de imagens de satélites como o QUICKBIRD e, mais recentemente, drones equipados com câmeras multiespectrais, permite mapear parâmetros biofísicos (IAF, biomassa, diâmetro da copa) em nível de talhão,
facilitando o manejo preciso.
Saturação do NDVI
No uso do NDVI na cafeicultura deve-se ter também atenção com a saturação, momento em que o índice se torna insensível ao aumento da biomassa vegetal a partir de certo estágio da planta, estabilizando num mesmo patamar, com pequena variação de valores.
Como usar o NDVI com o sistema Safra do Café
No sistema
Safra do Café é possível utilizar o NDVI a partir de imagens do sensor MSI/Sentinel-2AB, de alta resolução especial (10 metros) e temporal (nova imagem a cada 5 dias, a depender da cobertura de nuvens).
Para isso, basta apenas inserir a sua área de interesse no sistema, por meio de um arquivo .gpkg ou então desenhá-la no mapa interativo. Posteriormente, basta clicar em salvar dados e ir para a aba de monitoramento.
Veja no vídeo abaixo:
O
sistema Safra do Café
permite ainda que você faça uma análise temporal do NDVI médio da sua área de produção, com possibilidade de acompanhamento de datas do ano de 2015 para os dias atuais.
Assim, a plataforma processa automaticamente imagens de satélite históricas e atuais, gerando gráficos e mapas de NDVI para cada talhão ao longo do tempo.
Você visualiza a curva de NDVI, que deve refletir o ciclo fenológico da cultura.
Quedas bruscas ou valores abaixo do esperado para a época indicam possíveis problemas (estresse hídrico, ataque de praga, dano físico).
Com base na análise visual, é possível direcionar vistorias de campo para áreas específicas, validar a necessidade de irrigação suplementar ou verificar a efetividade de um manejo aplicado.
O monitoramento é contínuo, permitindo comparar safras, avaliar o efeito de práticas de manejo e planejar a colheita com base no desenvolvimento da cultura.
O NDVI é uma ferramenta de
monitoramento contínuo na cafeicultura que traduz a "saúde" e o desenvolvimento da lavoura em dados objetivos e mapeados.
Ao vincular esses dados à
fenologia do cafeeiro, você ganha um poderoso aliado para tomar decisões no momento certo, seja para corrigir um déficit nutricional, manejar a irrigação ou identificar pragas e doenças.
Os avanços científicos e a integração em plataformas como o
Safra do Café possibilitam o acesso a essa tecnologia, essencial para quem deseja otimizar recursos e garantir a
sustentabilidade do negócio diante dos desafios climáticos e de mercado.