Endividamento do cafeicultor aumenta com crédito mais caro e maior inadimplência
O endividamento do setor agropecuário voltou a níveis elevados e amplia a pressão sobre os cafeicultores. Segundo o Cepea, o passivo do setor no sistema financeiro equivalia a 94% da renda em 2025, após atingir 106% em 2024. Entre as pessoas físicas, que concentram cerca de 80% da carteira de crédito rural, a inadimplência chegou a 9,7% em agosto de 2026, recorde da série do Banco Central. O cenário é agravado pelo aumento do custo do dinheiro. A taxa média do crédito rural para pessoas físicas passou de 6,2% ao ano em 2020 para 12,2% em 2025. Para a cafeicultura, o Funcafé mantém recursos específicos, com R$ 7,37 bilhões autorizados para financiamentos em 2026, conforme resolução do Banco Central. A necessidade de crédito permanece elevada porque o produtor precisa financiar custeio, comercialização e investimentos em um ambiente de custos maiores e renda mais pressionada. O próprio Cepea aponta que os preços reais da agropecuária caíram 24% entre 2021 e 2025, enquanto os insumos permaneceram em patamares elevados. Além disso, o aumento da participação de recursos privados e de taxas livres torna o financiamento mais sensível às condições do mercado.

